Apontado como um dos criminosos mais procurados da Bahia, Fábio Souza dos Santos, conhecido como “Geleia”, segue foragido desde 21 de outubro de 2023, após escapar praticamente pela porta da frente do Complexo Penitenciário Lemos Brito, na Mata Escura, em Salvador.
A fuga ocorreu menos de 24 horas após o detento ter sido transferido para uma ala considerada vulnerável da unidade prisional. Antes disso, em agosto de 2023, uma decisão judicial havia proibido qualquer tipo de benefício ao interno, incluindo transferências.
A mudança de local dentro do presídio, contrariando determinação judicial, é um dos principais pontos questionados. Até hoje, não houve esclarecimento público detalhado sobre quem autorizou a movimentação e em quais condições ela foi realizada.
A Justiça chegou a solicitar explicações à administração do sistema prisional. O prazo foi dado. E, até agora, não há respostas claras.
O caso ganha contornos ainda mais graves quando comparado com a fuga de detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024.
As investigações no caso do Extremo Sul baiano apontam que houve facilitação interna com participação de aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Entre os investigados estão a ex-diretora Joneuma Silva Neres e o ex-deputado Uldurico Júnior.
Mensagens obtidas na apuração trazem um trecho que chama atenção: “Quando a SEAP quer, ela abafa”.
Não há confirmação oficial de que a fala tenha relação direta com a fuga de ‘Geleia’. Mas o contexto levanta dúvidas inevitáveis.
Diante dos dois episódios, Lemos Brito e Conjunto Penal de Eunápolis, ficam as perguntas que não querem calar: quem autorizou a transferência de Geleia? Por que uma decisão judicial foi ignorada? Houve falha grave ou facilitação? Se a fuga em Eunápolis teve, segundo investigações, um custo milionário, a de Geleia também teve? Quem assinou e executou essa movimentação dentro do sistema prisional?
Mais de um ano depois, ‘Geleia’ continua solto. É apontado como líder do Bonde do Maluco (BDM), com atuação em tráfico de drogas, homicídios e outros crimes.
Nenhuma atualização concreta sobre seu paradeiro foi apresentada. Nenhuma explicação convincente sobre a fuga foi dada.
É preciso dizer com todas as letras: o sistema prisional baiano falhou e não foi uma vez só. Dois casos graves, com características distintas, mas um ponto em comum: fragilidade, suspeitas e silêncio.
Fica a cobrança direta ao governador Jerônimo Rodrigues: o senhor sabia dessas movimentações? Foi alertado pelos setores de inteligência? Houve negligência ou algo mais grave dentro da estrutura da SEAP?
Não se trata apenas de uma fuga. Trata-se de criminosos de alta periculosidade escapando do Estado e continuando a comandar o crime. Tudo isso em troca de apenas de dinheiro ou também de votos? Facilitação nas comunidades?
O Ministério Público precisa ter liberdade total para investigar.
Cada ato administrativo precisa ser rastreado. Cada decisão dentro do sistema prisional precisa ser explicada. Se houve falha, que seja apontada. E se houve facilitação, que seja punida. Por fim, o caso Geleia continua sem resposta. E, agora, já não é mais um episódio isolado.
Qualquer informação sobre Geleia ligue 181.